Lisboa pede novos apoios europeus para habitação acessível

Lisboa pede novos apoios europeus para habitação acessível
Pexels

Carlos Moedas pede à Europa novos apoios comunitários para habitação acessível. “Depois de junho o que nos resta é o apoio nacional ou o nosso próprio capital e as câmaras não têm capacidade para construir tudo o que é preciso”.

Termina este verão o prazo de execução do Plano de Recuperação e Resiliência. Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, acredita que a cidade beneficiaria de um novo PRR exclusivamente dedicado à habitação que funcionasse além desse prazo, para garantir as necessidades de construção de habitação acessível da capital.

O autarca defendeu esta ideia durante uma conferência de imprensa conjunta com o comissário europeu para a Habitação, Dan Jørgensen, que começou por apresentar em Lisboa, a 30 de janeiro, o novo plano europeu para promover habitação a preços acessíveis, que foi aprovado em dezembro pela Comissão Europeia.

Carlos Moedas lembrou que a construção nova desceu significativamente ao longo de uma década, e que os 560 milhões de euros do PRR destinados ao município, executados neste momento a 80%, e que poderão chegar aos 90%, estão longe de ser suficientes para as necessidades reais da cidade. «Precisamos de mais e construir demora. Se tudo isto não teria sido possível sem a UE, também é verdade que a partir de julho vamos continuar a precisar da Europa» e por isso «posso, como presidente da câmara, pedir aos Estados-membros que, que como tivemos o Next generation para a Europa, possamos ter um para a habitação. Depois de junho o que nos resta é o apoio nacional ou o nosso próprio capital e as câmaras não têm capacidade para construir tudo o que é preciso», cita o Negócios.

Europa quer criar plataforma para investir em habitação acessível

O comissário europeu destacou que uma das novidades do plano europeu para a habitação acessível é a criação de uma plataforma para o investimento, que contará com financiamento público e investidores privados. Dan Jørgensen não se comprometeu com o pedido de Carlos Moedas, e remeteu para a nova plataforma de investimentos que está a ser desenvolvida, assumindo que a habitação é «sem dúvida o tema que mais preocupa os cidadãos europeus. Precisamos de cidades onde pessoas normais, com trabalhos normais, médicos, professores, policias, possam viver onde trabalham. Ter uma habitação é um direito humano, é mais do que ter um telhado sobre a cabeça, é a base da vida, é o que nos dá um futuro». Resumiu que a Europa precisa de habitação acessível e «nós precisamos de mais investidores». A nova plataforma «juntará investidores e autoridades públicas» na construção dessa oferta.