Maioria das casas antigas nunca melhorou eficiência energética

Maioria das casas antigas nunca melhorou eficiência energética
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Um estudo recente do INE mostra que o custo financeiro ainda é determinante para a não realização das renovações necessárias das habitações portuguesas.

Portugal é dos países europeus que pior pontua no que toca à pobreza energética, e um novo estudo confirma que a maior parte das habitações construídas antes de 1960 não sofreu qualquer intervenção com vista à melhoria da sua eficiência energética, apesar de essa necessidade ser reconhecida pelos moradores.

O Inquérito às Condições de Vida e Rendimento realizado pelo Instituto Nacional de Estatística no ano passado, cujos resultados foram agora divulgados, mostra que mais de metade (54,7%) das famílias residentes em casas construídas antes de 1960 informou não ter existido qualquer renovação para melhorar o comportamento energético destas habitações.

As intervenções não foram feitas devido ao investimento necessário ser elevado, sendo este o principal motivo apontado pelas famílias para a não realização das renovações necessárias, em particular para as que vivem em risco de pobreza: 90,1%, o que compara com 77,9% para a população que vive acima do limiar de pobreza.

As necessidades de renovação com vista à melhoria da eficiência energética são menos frequentes nos alojamentos mais recentes. Ainda assim, mais de um quinto das famílias residentes em alojamentos construídos após 2015 (21,6%) beneficiaram de pelo menos dois tipos de medidas de renovação (isolamento térmico, sistema elétrico, equipamento de aquecimento, equipamento de arrefecimento ou outra).

O estudo revela que em 2025 as famílias em risco de pobreza ocupavam 30,1% das habitações construídas antes de 1945 e apenas 11,4% das casas construídas após 2015.

A população em risco de pobreza também revelou ter sido mais afetada por danos causados às habitações por causas ambientais ou meteorológicas: 7,5%, que comparam com os 6,9% das pessoas que vivem acima do limiar da pobreza. Os danos desta natureza afetaram mais os residentes em áreas urbanas.

Pobreza está ligada à sobrecarga habitacional

A condição de pobreza também está correlacionada com a taxa de sobrecarga das despesas em habitação, que para a população em risco de pobreza era oito vezes superior (24,4%) à taxa observada na restante população (2,9%). Segundo o INE, as taxas de sobrelotação e de privação habitacional severa nas famílias com crianças eram cerca de 4 vezes as dos agregados sem crianças. Ainda assim, 90,1% dos agregados familiares em risco de pobreza revelavam estar satisfeitos ou muito satisfeitos com o alojamento.

Espaços públicos são valorizados

Este inquérito mostra que os agregados familiares com crianças valorizam mais a proximidade a espaços verdes públicos. No ano passado, 44,9% das famílias sem crianças residiam a menos de 400 metros de um espaço verde público. 47% das famílias com crianças viviam nesta situação, e mais de metade dos indivíduos de famílias com dois adultos com três ou mais crianças residiam a menos de 400 metros de um espaço verde público.

Cerca de dois terços dos indivíduos manifestaram-se satisfeitos ou muito satisfeitos com os espaços públicos existentes na sua zona de residência, e apenas 10% se declararam muito insatisfeitos. O grau de satisfação varia inversamente em relação à distância ao espaço público verde mais próximo. O estudo mostra que, para cerca de 60% dos indivíduos que se manifestavam muito satisfeitos com os espaços verdes públicos existentes na área de residência, o espaço mais próximo distava menos de 400 metros. Pelo contrário, 55,5% dos indivíduos que se manifestavam muito insatisfeitos com os espaços verdes públicos existentes na área de residência residiam a mais de 2 km de um espaço desse tipo.