Reabilitação é “a resposta mais rápida” para a habitação

Reabilitação é “a resposta mais rápida” para a habitação

A secretária de Estado da Habitação defendeu na Semana da Reabilitação Urbana que as medidas para a habitação têm de estar em linha com o que está a ser feito a nível europeu, e reafirmou a aposta nas políticas públicas.

«A reabilitação urbana é a resposta mais rápida para disponibilizar oferta às famílias, conciliando eficiência ambiental e racionalidade económica». É o que defende a secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa, que participou esta semana na sessão de abertura da Semana da Reabilitação Urbana de Lisboa, a 3 de março.

Segundo a governante, «Portugal tem mais de 1.500.000 de edifícios com mais de 50 anos». Sublinhou que a reabilitação — incluindo a vertente sísmica — é uma questão de segurança e de prolongamento da vida útil dos imóveis.

Patrícia Gonçalves Costa, enquadrou o momento atual numa tendência europeia de recentrar a habitação como prioridade estratégica. «Se queremos discutir a habitação em Portugal, não podemos ignorar o que está a ser feito na Europa. Nós estamos a participar no desenho do que está a ser planeado para os próximos anos», nomeadamente no que toca ao plano europeu para a habitação acessível.

Patrícia Gonçalves Costa, secretária de Estado da Habitação
Patrícia Gonçalves Costa, secretária de Estado da Habitação

Sublinhando que o Governo assumiu desde o primeiro momento a habitação como linha prioritária, avançou que, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, já foram entregues mais de 17.800 casas. Ao todo, «o Governo já investiu 9.000 milhões de euros em políticas de habitação pública», com o objetivo de atingir uma meta de 10% de habitação pública. «Se queremos ultrapassar os 2%, temos de construir muito mais e com outros requisitos».

No plano legislativo e fiscal, destacou a redução de impostos no arrendamento (recentemente aprovada), a revisão do RJUE e a aposta na simplificação administrativa. «A fiscalidade é importante, mas não funciona sozinha», afirmou, defendendo uma articulação entre instrumentos financeiros, enquadramento normativo e qualificação técnica. «Precisamos de previsibilidade regulatória e estabilidade jurídica, de mais terrenos públicos disponíveis para construir habitação pública».

«Temos uma urgência social de concretizar respostas habitacionais no menor espaço de tempo». E alertou que «temos de planear o futuro, e de estar preparados. Falhar na preparação, é prepararmo-nos para falhar. Contamos com o conhecimento de todos para ultrapassar este grande desafio da crise do acesso à habitação», concluiu.

Novo PDM de Lisboa prioriza a habitação

Na abertura do evento, esteve também presente o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, que colocou o novo Plano Diretor Municipal que está a ser trabalhado no centro da estratégia da autarquia para responder à crise da habitação. Reconhecendo que «a maior dificuldade da política pública local é passar do papel para a realidade», o autarca defendeu que a simplificação tem de ser a palavra-chave do novo PDM. O objetivo é criar um documento estratégico que traga clareza, reduza a burocracia e materialize uma nova visão de cidade, assente na mobilidade, melhor circulação e maior sustentabilidade. Só depois desta base estrutural, é que «será possível aumentar de forma consistente a oferta de habitação».

Destacou os novos projetos estruturantes que estão a ser desenvolvidos, como o Plano de Urbanização do Vale de Santo António ou do Vale de Chelas, que têm potencial construtivo de milhares de fogos e espaços públicos, e considerou que um dos programas mais importantes deste mandato é o “De Volta ao Bairro”, no qual a autarquia identificou 700 imóveis nos bairros históricos que serão destinados a jovens com ligações aos mesmos, mas que não conseguem aceder ao mercado neste momento. «Ninguém tem uma varinha mágica, e temos de resolver o problema em conjunto, com todos os aqui presentes. Precisamos de oferta, de acesso e de reabilitação».

Carlos Moedas, presidente da CML
Carlos Moedas, presidente da CML

Portugal precisa de construir mais

Manuel Reis Campos, presidente da CPCI, recordou na abertura do evento que, num país como Portugal, «é necessário construir entre três e seis fogos por 1.000 habitantes por ano», ou seja, 30.000 e 60.000 fogos por ano. Contudo, entre 2011 e 2021, não só se construiu abaixo deste patamar, como o parque edificado envelheceu. Para aumentar a oferta e mobilizar a participação privada, Reis Campos apontou como medidas essenciais a redução da carga fiscal; a simplificação da burocracia e maior celeridade no licenciamento, ou a agilização do mercado de arrendamento. O responsável salientou ainda que medidas como a aprovação do IVA a 6% são positivas, mas insuficientes sem estabilidade fiscal e jurídica. “Hoje reabilitar é mais do que preservar património, é regenerar cidades e articular política ambiental, social e económica. É necessário construir mais, reabilitar mais. Esse é o verdadeiro paradigma.”

Manuel Reis Campos, presidente da CPCI
Manuel Reis Campos, presidente da CPCI