Espelho meu, espelho meu, há alguém com o m² melhor do que o meu?

Espelho meu, espelho meu, há alguém com o m² melhor do que o meu?

A dignificação do m² é, desde sempre, um dos maiores desafios dos grandes investidores. Quem nunca desejou estar na fase inicial de reabilitação de uma zona ou de um bairro? Quantas empresas já não falharam ao tentar fazê-lo?

O desafio será sempre este: como mudar a aparência e a forma como uma zona menos valorizada da cidade é percecionada e, assim, criar um polo de atração para os seus cidadãos, com todas as vantagens que esse processo pode trazer. Reconstruir e reabilitar uma cidade traz sempre uma componente de missão maior do que criar de raiz. É muito mais difícil pelo investimento na adaptação e pela necessidade de criação de um conceito, mas é também muito mais fácil criar valor quando existe história e quando se pode partir daí.
O impacto da reabilitação de edifícios icónicos na criação de polos económicos é uma lição para os mais céticos. Não excluo a óbvia necessidade de criar valor numa cidade com investimentos em novas estruturas e de marcar, por exemplo, a arquitetura das cidades com soluções mais futuristas ou contemporâneas, mas os exemplos de sucesso da reabilitação urbana trazem às cidades aquilo que todos procuram: identidade. O que distingue qualquer destino que visitamos, senão as suas raízes históricas? Quando falamos da Europa, com tantos séculos de história, em comparação com territórios mais recentes, percebemos como a capacidade de investimento desses territórios continua fascinada com esse legado.
Agora, de que forma pode uma boa renovação fazer ainda mais sentido? Quando lhe são acrescentados conteúdos de elevado interesse. No caso específico do Mercado da Ribeira, transformado no fenómeno internacional Time Out Market Lisboa, foram os conteúdos que, aliados à reabilitação, lhe deram coração. Se a intervenção de recuperação tivesse sido apenas de imagem, com todos os problemas que o bairro tinha à época — sendo o maior o abandono — teríamos hoje mais um equipamento sem alma. Foi a implementação de um espaço gastronómico de elevada qualidade, com agenda cultural e promoção dos vendedores tradicionais, que o tornou no maior polo de visitas da cidade de Lisboa, para locais e turistas. Com isso, mudou totalmente a rentabilização do m2 que o rodeia e promoveu uma zona que hoje é feita de escritórios, de espaços de lazer, de ginásios, de serviços e de conceitos que lhe dão ocupação constante.
Outro grande exemplo é o MACAM, que, para além do enorme investimento na recuperação do edificado — que só por si já seria um enorme feito — criou um polo de atração cultural que, apesar de ter apenas um ano de existência, já entrou na agenda de quem quer conhecer a cidade, quer por viver nela, quer por a visitar.
A dificuldade dos grandes developers, hoje em dia, é a criação de valor nessa recuperação do . Apesar de ser de louvar a recuperação do edificado, há que reconhecer que o só passa a ser melhor quando tem conteúdo, quando tem uma boa história para contar, quando tem matéria e quando faz as pessoas voltar, recomendar e, acima de tudo, criar valor para o sítio onde se insere.