Durante quatro dias, o MIPIM – o Marché International des Professionnels de l’Immobilier – reúne alguns dos principais decisores do setor imobiliário mundial, desde investidores institucionais e promotores a autarcas, urbanistas e responsáveis políticos.
Trata-se de um espaço de encontro onde se discutem tendências, se apresentam projetos e, sobretudo, se constroem relações que moldam o futuro das cidades.
A edição de 2026 volta a demonstrar a dimensão e o dinamismo deste ecossistema global. O evento reúne mais de 25 mil profissionais do setor, provenientes de cerca de 90 países, num ambiente onde coexistem 20 mil entidades expositoras e onde se discutem investimentos que representam biliões de euros em ativos imobiliários.
Apesar dos números serem reveladores da vitalidade do setor, o que distingue verdadeiramente o MIPIM é a capacidade de reunir, no mesmo espaço, cidades que procuram investimento, investidores que procuram projetos e empresas que procuram parceiros estratégicos.
Neste contexto, a palavra-chave é, inevitavelmente, networking. São nestes encontros que se estabelecem parcerias e se alinham visões sobre o desenvolvimento urbano das próximas décadas. É um momento de muita importância para o nosso setor.
Este ano, o contexto internacional também introduz novas variáveis no debate. A instabilidade geopolítica em algumas regiões, em particular no Médio Oriente, pode influenciar a presença de determinadas delegações e o ritmo das deslocações internacionais. Ao mesmo tempo, o impacto destes conflitos no clima macroeconómico reforça a atenção dos investidores às dinâmicas globais.
Participar neste tipo de fóruns permite compreender melhor as tendências globais e perceber como diferentes geografias estão a responder a desafios semelhantes. Simultaneamente, reforça a ideia de que as soluções para problemas complexos raramente surgem de forma isolada. Pelo contrário, resultam da capacidade de aprender com outras realidades.
Para países de média dimensão como Portugal, esta esfera internacional assume particular importância. O mercado imobiliário português tem demonstrado, nos últimos anos, uma notável capacidade de atrair investimento e de afirmar a qualidade dos seus projetos urbanos. Contudo, para que esta dinâmica se mantenha sustentável, é essencial continuar a posicionar o país nos grandes palcos internacionais onde se discutem as tendências do setor.
Eventos como o MIPIM recordam-nos que o imobiliário é, hoje, uma atividade profundamente global.
Num contexto assim, estar presente na conversa internacional é absolutamente essencial para quem quer participar ativamente na construção das cidades do futuro.