Estrangeiros compram menos casas mas investem mais

Estrangeiros compram menos casas mas investem mais
Fotografia: Pexels

Os dados da Confidencial Imobiliário evidenciam que os estrangeiros reduziram a compra de casas em 12% na Área de Reabilitação Urbana de Lisboa, mas investem mais 10% por imóvel. Em 2025, adquiriram 1.390 habitações e investiram 879,5 milhões de euros, no entanto, o capital investido manteve-se estável, e o valor médio por operação subiu para 631,8 mil euros.

O investimento estrangeiro no mercado de habitação da Área de Reabilitação Urbana de Lisboa (território que abrange todas as freguesias da cidade com exceção de Lumiar, Santa Clara e Parque das Nações) voltou a abrandar em 2025, - com uma redução de 12% no número de habitações adquiridas, face a 2024. No entanto, o capital investido manteve-se “relativamente estável”, sustentado pela “subida do valor médio das transações”, segundo a Confidencial Imobiliário.

Os investidores internacionais adquiriram 1.390 imóveis residenciais na ARU de Lisboa no ano passado, menos 180 do que em 2024, tendo o ano o nível de atividade mais baixo desde 2017. Já o investimento total atingiu os 879,5 milhões de euros, 3% abaixo dos 906,5 milhões de euros registados em 2024.

Comprador estrangeiro revela elevada capacidade financeira, com os Estados Unidos a liderar em aquisições

Para a revista, a evolução do mercado revela uma mudança no perfil da procura internacional - embora com menos ativos, os compradores estrangeiros continuam a revelar elevada capacidade financeira e maior disponibilidade para investir em ativos de valor superior. O ticket médio por operação aumentou 10%, passando para 631,8 mil euros em 2025 (face a 575,6 mil euros em 2024).

A Área de Reabilitação Urbana de Lisboa de Lisboa contou, no ano passado, com compradores de 64 nacionalidades - os Estados Unidos lideraram em número de aquisições, com 16% das operações internacionais, seguidos por França e Brasil (ambos com 11%), Reino Unido (7%), China (6%) e Alemanha (5%). Ao nível de capital investido, os norte-americanos assumiram também a liderança, concentrando 20% do investimento estrangeiro na ARU de Lisboa. Seguiram-se Brasil (12%), França (11%), Reino Unido (8%), Alemanha (5%) e China (4%).

Estrela, Arroios, Misericórdia, Santo António e Santa Maria Maior entre preferências dos compradores

As preferências geográficas manifestaram-se nas freguesias da Estrela, Arroios, Misericórdia, Santo António e Santa Maria Maior, que concentraram 10% e 12% das aquisições realizadas por estrangeiros. No entanto, foi verificada uma dinâmica distinta ao longo do ano: Santa Maria Maior e Estrela destacaram-se com crescimentos de 17% e 10%, respetivamente. Misericórdia e Santo António mantiveram níveis de procura estáveis, e Arroios registou uma quebra de 13% nas compras por investidores estrangeiros.

Procura estrangeira abrandou mas nacional aumentou

Foi também referido, pela Confidencial Imobiliário, que o abrandamento da procura estrangeira contrastou “com o dinamismo do segmento doméstico”. No ano passado, os compradores nacionais aumentaram em 5% o número de aquisições residenciais na ARU de Lisboa, totalizando 4.540 transações. Em sentido contrário, o peso relativo dos investidores estrangeiros recuou de 27% para 23%.

Estrutura do mercado manteve-se estável

Apesar destas dinâmicas opostas, a estrutura do mercado em termos de capital manteve-se estável: 70% do investimento teve origem nacional e 30% estrangeira. Este resultado deve-se  à redução do valor médio investido pelos compradores portugueses, que se fixou em 444,2 mil euros por operação, menos 11% do que em 2024 e cerca de 30% abaixo do ticket médio dos investidores internacionais.

Desta forma, pode concluir-se que o mercado residencial da ARU de Lisboa registou, em 2025, uma estabilização do número total de transações (+1%), acompanhada por um investimento global de 2.897,6 milhões de euros (valor que representa uma ligeira descida de 3% face ao ano anterior).