No ano passado, o investimento estrangeiro em habitação na Área de Reabilitação Urbana (ARU) de Lisboa voltou a reduzir-se em 12% face ao ano anterior, em número de transações. No entanto, o capital investido manteve-se relativamente estável, graças à subida do valor médio das transações.
De acordo com os números da Confidencial Imobiliário, que analisou as dinâmicas de investimento residencial na ARU de Lisboa (território que abrange todas as freguesias da cidade à exceção de Lumiar, Santa Clara e Parque das Nações, os investidores estrangeiros compraram 1.390 imóveis de habitação ao longo do ano, menos 180 que em 2024 – o nível de atividade mais baixo desde 2017. Ainda assim, foram investidos 879,5 milhões de euros, apenas 3% abaixo dos 906,5 milhões registados no ano anterior.
Maior disponibilidade financeira
Os investidores estão a demonstrar elevada capacidade financeira e maior disponibilidade para investir em ativos de valor superior. O valor médio que gastaram por cada operação aumentou 10%, passando de 575.600 em 2024 para 631.800 em 2025.
Estes investidores eram oriundos de 64 países diferentes, confirmando a consolidação do mercado residencial lisboeta no contexto internacional. Os Estados Unidos lideraram em número de aquisições, com 16% das operações internacionais, seguidos por França e Brasil (ambos com 11%), Reino Unido (7%), China (6%) e Alemanha (5%).
Os americanos são também os que gastam mais, sendo responsáveis por 20% do investimento estrangeiro feito na ARU de Lisboa. Seguiram-se Brasil (12%), França (11%), Reino Unido (8%), Alemanha (5%) e China (4%).
As freguesias da Estrela, Arroios, Misericórdia, Santo António e Santa Maria Maior continuaram a concentrar entre 10% e 12% das aquisições realizadas por estrangeiros, mas Santa Maria Maior e Estrela registaram crescimentos de 17% e 10%, respetivamente, no número de operações. Misericórdia e Santo António mantiveram níveis de procura estáveis, enquanto Arroios registou uma quebra de 13% nas compras por investidores internacionais.
Mais portugueses a comprar
Por oposição, há mais compradores nacionais a fechar negócios na ARU de Lisboa. No ano passado, o número de aquisições residenciais aumentou 5%, num total de 4.540 transações, reforçando a sua quota de mercado de 73% para 77%. Investem, em média, 444.200 euros, menos 11% que no ano anterior, e 30% abaixo da média dos investidores internacionais.