Durante demasiado tempo discutimos o problema sem alterar verdadeiramente o modelo sob o qual nos debatíamos. Continuamos a construir pouco, devagar e com custos cada vez mais difíceis de acomodar. E enquanto o debate público insiste em soluções imediatas, a realidade mostra-nos que sem aumento significativo da oferta não haverá solução estrutural para a crise da habitação. É precisamente neste ponto que a construção industrializada e o Built to Rent assumem um papel decisivo.
A construção industrializada deve ser encarada como uma evolução natural de um setor que precisa urgentemente de ganhar produtividade, previsibilidade e, sobretudo, escala.
Num país onde os prazos de construção se prolongam excessivamente, onde existe escassez de mão-de-obra e onde os custos continuam elevados, faz pouco sentido insistirmos exclusivamente em métodos tradicionais, com mais de 50 anos.
Industrializar a construção é planear melhor, reduzir desperdício e ganhar eficiência, com maior controlo sobre custos e prazos. É integrar tecnologia e novos processos construtivos para produzir mais e melhor, criando um novo cluster económico e uma oportunidade de modernização da economia portuguesa. No fundo, é construir à velocidade que o país exige e que os portugueses precisam.
Mas significa também criar condições para produzir habitação a preços compatíveis com a realidade das famílias portuguesas.
Ao mesmo tempo, Portugal continua sem conseguir criar um verdadeiro mercado de arrendamento institucional. E aqui o Built to Rent representa uma mudança estrutural na forma como olhamos para a habitação. Trata-se de desenvolver projetos concebidos para arrendamento, com gestão qualificada e visão de longo prazo.
O problema é que persistem demasiados fatores de instabilidade. O investimento exige previsibilidade regulatória, rapidez nos licenciamentos, estabilidade fiscal e um mercado de arrendamento que proteja o senhorio e o inquilino. Nenhum investidor comprometerá capital durante décadas se existir permanente incerteza sobre as regras do jogo.
O país precisa de perceber que o setor privado não é adversário na resolução da crise da habitação. Pelo contrário: será impossível aumentar significativamente a oferta sem investimento privado e capacidade de execução.
A construção industrializada e o built-to-rent serão fundamentais para construir mais, construir melhor e responder às necessidades reais das famílias. Portugal precisa menos de soluções do passado e mais de condições para executar soluções reais e adequadas aos tempos que vivemos.