No primeiro trimestre deste ano, o mercado residencial registou uma descida de -9,4% no número de vendas, num total de 37.750 transações registadas em Portugal Continental. Confirma-se, assim, a tendência de menor dinamismo que se vem observando desde a segunda metade do ano passado.
De acordo com a análise da Confidencial Imobiliário, “estão a emergir novos fatores com impacto no mercado residencial, nomeadamente a instabilidade internacional e as expectativas de subida das taxas de juro, que tendem a condicionar a procura e o investimento em habitação”, explica Ricardo Guimarães, diretor da Ci.
Mas esta evolução deve ser vista com alguma perspetiva: “apesar da redução da atividade em 2026 face a 2025, o volume de transações mantém-se alinhado com a média observada desde 2019. O mercado parece ter atingido o pico da sua capacidade de crescimento, mas mantém-se a atuar nesse patamar.”
Não obstante este abrandamento, os preços continuaram a subir. No primeiro trimestre deste ano, os valores de venda registaram uma subida de 4,6% em cadeia, em linha com o trimestre anterior, e de 21,1% em termos homólogos. Esta subida anual representa uma ligeira desaceleração face ao máximo histórico de 21,4% que se registou no final de 2025, mas confirma a forte pressão sobre os preços, num contexto de escassez estrutural de oferta.
Nova oferta ainda não aumentou o suficiente
A Ci destaca os sinais positivos ao nível da produção imobiliária, mas o volume de nova habitação que chega ao mercado continua abaixo dos níveis de há 20 anos. De acordo com os números do INE, no ano passado foram concluídas 26.700 habitações, marcando uma década quase consecutiva de crescimento da construção. No entanto, este valor equivale apenas a um terço do volume de produção que se registava em 2005.
A tendência é semelhante no caso do licenciamento. Em 2025, foram licenciados 41.830 fogos, de acordo com o INE, valor que representa pouco mais de metade dos níveis registados há 10 anos. Também há dificuldades na concretização dos investimentos: deram entrada com pedido de licenciamento 71.980 novos fogos, mas apenas 64% dessa carteira foi alvo de emissão de licenças, efetivamente.
Preço médio de venda atinge os 3.262 euros/m²
Neste contexto de oferta limitada e procura resiliente, o preço médio de venda registado em Portugal Continental no primeiro trimestre deste ano atingiu os 3.262 euros/m². Segundo o SIR – Sistema de Informação Residencial, na habitação nova, os valores chegaram aos 4.374 euros/m², ultrapassando a barreira dos 4.000 euros/m² pela primeira vez. Na habitação usada, o preço médio ficou pelos 2.959 euros/m².