Durante anos, o debate público centrou-se exclusivamente nos sintomas: preços elevados, escassez de oferta e dificuldades no acesso à compra ou ao arrendamento. Hoje, existe uma consciência crescente de que a solução passa por aumentar a oferta de habitação.
Mas para construir mais não basta reconhecer o problema. É preciso criar condições para o resolver. O setor da promoção imobiliária está disponível para investir, construir e assumir riscos. É isso que faz todos os dias. Os promotores compram terrenos, desenvolvem projetos, mobilizam financiamento e transformam investimento em casas, escritórios, comércio e equipamentos que servem as pessoas e as cidades.
Contudo, entre a intenção de investir e a concretização de um projeto continuam a existir demasiados obstáculos. O principal, não posso deixar de reforçar, é conhecido de todos: a morosidade dos processos administrativos e de licenciamento.
Cada mês perdido representa investimento parado, aumento de custos, atraso na entrada de novas habitações no mercado e, muitas vezes, a inviabilização de projetos capazes de responder às necessidades das famílias.
Por isso, a reforma do Estado e a simplificação administrativa assumem-se hoje como um importante passo estratégico. Não são apenas temas de gestão pública; são fatores decisivos para a competitividade económica, a atração de investimento e a resposta à crise da habitação.
Os sinais recentes de modernização administrativa devem ser valorizados. A aposta na digitalização, na redução de procedimentos redundantes e na agilização dos processos constitui um passo na direção certa. Mas é fundamental que estas medidas produzam resultados concretos. A confiança é hoje uma palavra-chave. Os investidores precisam de previsibilidade. As empresas precisam de regras claras. As famílias precisam de respostas mais rápidas.
O setor imobiliário não pede privilégios. Pede condições para fazer aquilo que sabe fazer: investir, construir e criar valor. E foi exatamente isso que os profissionais reunidos em peso na mais recente edição da COPIP – Conferência da Promoção Imobiliária em Portugal – voltaram a defender.
A resposta está, em grande medida, na capacidade de tornar o Estado mais simples, mais eficiente e mais rápido. Porque construir uma casa demora tempo. O que não pode continuar a demorar anos sem fim é a autorização para a construir.
Num momento em que Portugal procura responder aos desafios da habitação, da competitividade e do crescimento económico, importa recordar uma evidência simples: sem investimento não há construção. Sem construção não há oferta. E sem oferta não haverá, certamente, habitação acessível.