As rendas habitacionais dos novos contratos assinados no primeiro trimestre deste ano registaram uma tendência de estabilização em Lisboa e de descida no Porto. Por um lado, a capital regista o quarto trimestre consecutivo em terreno positivo, e o Porto regista a maior descida trimestral dos últimos 5 anos.
De acordo com o Índice de Rendas Residenciais, publicado pela Confidencial Imobiliário, as rendas de habitação estão a corrigir no Porto. No início deste ano, registaram uma descida trimestral de 1,3%, que foi a mais expressiva desde 2021, quando o mercado registava perdas anuais próximas dos 10% em contexto pandémico.
Desde o final de 2024 que as rendas descem na Invicta. Ainda que as descidas anteriores fossem moderadas (entre -0,2% e -0,9%), a sua persistência acumulou pressão suficiente para aprofundar a variação homóloga para -2,7%, quase um ponto percentual abaixo dos -1,6% registados no final de 2025. Este arrefecimento é também um efeito dos elevados níveis de renda atingidos nos últimos anos, e do consequente aumento de oferta que se seguiu.
Na capital, as rendas contratadas registaram uma variação trimestral de 0,2% no primeiro trimestre deste ano. Ainda que residuais, as variações em cadeia são positivas há quatro trimestres consecutivos, «com impacto já visível na variação homóloga, que atingiu 2%», segundo a Confidencial Imobiliário.
‘Fases distintas do mesmo ciclo de ajustamento’
Nestes dois mercados, «a fase atual traduz o contrapeso natural ao ciclo de forte escalada registado entre 2022 e 2024», um período durante o qual se registou uma forte expansão nas rendas contratadas, justificado pelo contexto de pressão inflacionista e pelas incertezas no enquadramento fiscal e regulamentar do setor de arrendamento.
Nesse período, em Lisboa, as rendas contratadas subiram 26% só em 2022, 9% em 2023 e 1% em 2024. No Porto, as rendas de novos contratos registaram um crescimento próximo de 30% em 2022, desacelerando para 12% em 2023 e novamente para 2% em 2024.
Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, explica que «a divergência entre Lisboa e Porto no primeiro trimestre de 2026 traduz fases distintas do mesmo ciclo de ajustamento». No seu entendimento, «Lisboa parece ter atingido um novo ponto de equilíbrio, com rendas a recuperar gradualmente após o período de correção». Em paralelo, «o Porto continua a absorver o excesso acumulado nos anos de expansão, e esta é a quebra trimestral mais expressiva desde o período pandémico — um sinal de que o ajustamento ainda não está concluído», avisa.
No primeiro trimestre de 2026, a renda média contratada em Lisboa fixou-se nos 1.580 euros para um apartamento T2 e no Porto nos 1.352 euros, com um tempo médio de colocação de cerca de três meses em ambas as cidades, conforme os dados do SIR-Arrendamento, da Ci.