O crédito à habitação continua a ganhar força em Portugal. Em maio, o stock de empréstimos para a compra de casa aumentou 10,8% face ao mesmo mês do ano passado, registando a taxa de crescimento mais elevada em mais de 23 anos e elevando a carteira dos bancos para um novo máximo histórico de 115,7 mil milhões de euros.
Os dados divulgados pelo Banco de Portugal mostram que o crédito à habitação mantém uma trajetória de crescimento ininterrupta há dois anos. Só em maio, o montante em dívida aumentou 1,15 mil milhões de euros face ao mês anterior, assinalando o terceiro mês consecutivo com um acréscimo mensal superior a mil milhões de euros.
A evolução reflete, em parte, a descida das taxas de juro desde o verão de 2024, que tornou o financiamento mais acessível e incentivou mais famílias a recorrerem ao crédito para comprar casa. Ao mesmo tempo, diminuiu a intensidade dos reembolsos antecipados, contribuindo para o aumento do stock de empréstimos.
A este contexto juntam-se as medidas de apoio à compra de habitação dirigidas aos jovens, como a garantia pública no crédito à habitação e a isenção de IMT. No entanto, estas iniciativas têm suscitado reservas por parte de instituições como o Banco de Portugal e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que consideram que poderão estar a alimentar a procura e a pressionar ainda mais os preços no mercado da habitação, defendendo que a sua continuidade deve ser reavaliada.
Portugal continua também a destacar-se no contexto europeu. Enquanto o crédito à habitação cresceu 3% na Zona Euro em maio, em Portugal o aumento foi de 10,8%, um ritmo quase quatro vezes superior ao da média dos países da moeda única.
O dinamismo estendeu-se aos restantes segmentos do crédito. O stock de crédito ao consumo e para outros fins aumentou 9,2% em termos homólogos, para 35,1 mil milhões de euros, enquanto o montante total de empréstimos concedidos a particulares cresceu 10,5%.
Também o crédito às sociedades não financeiras aumentou para 76,2 mil milhões de euros, mais 145 milhões de euros do que em abril. Ainda assim, a taxa de crescimento anual abrandou para 5,5%, face aos 6,2% registados no mês anterior.