Crédito à habitação dispara 10,9%

Crédito à habitação dispara 10,9%
Magcnific

Há 23 anos que o stock de crédito à habitação não subia tanto em termos anuais.

Em junho, o montante total de crédito à habitação concedido em Portugal chegou aos 116.800 milhões de euros, mais 1.056 milhões de euros que no mês anterior, e uma subida homóloga de 10,9%, a mais forte que se regista desde 2003.

Os números são avançados pelo Banco de Portugal no seu boletim de 27 de julho, que refere que «a taxa de variação anual dos empréstimos para habitação manteve, assim, a trajetória de aumento iniciada em 2024, e com dinamismo superior ao verificado ao nível da área do euro [3% em junho]».

Este é também o montante mais elevado registado desde o início da série, em 1979. O anterior pico foi atingido em março de 2011, com 114.511 milhões de euros. O aumento dos preços da habitação e da procura por parte dos jovens até aos 35 anos, que ainda beneficiam de medidas de apoio do Estado para adquirir a primeira habitação, contribuem para este montante em alta. No entanto, a subida dos juros e o novo aperto de regras do BdP, que reduziu o limite máximo da taxa de esforço de 50% para 45%, poderão arrefecer a procura de crédito à habitação nos próximos meses.

Valor de avaliação bancária em novos máximos

Confirmando esta dinâmica, no mesmo mês de junho, o valor mediano de avaliação bancária da habitação, usado como referência para os pedidos de crédito à habitação, atingiu um novo recorde e chegou aos 2.228 euros/m², um aumento homólogo de 16,6%. São mais 20 euros (0,9%) do que em maio, avança o Instituto Nacional de Estatística.

Neste mês, os Açores registaram a maior variação homóloga do país, de 24%. Não se observou qualquer descida.

No caso dos apartamentos, o valor mediano atingiu os 2.613 euros/m², mais 18,3% que em junho do ano passado. A Grande Lisboa (3.411 euros/m²) e o Algarve (2.988 euros/m²) registaram os valores mais elevados, enquanto o Alentejo (1.711 euros/m²) e o Centro (1.713 euros/m²) apresentaram os mais baixos.

Assim, o valor mediano de um apartamento T1 passou para 3.302 euros/m², para 2.694 euros/m² no caso de um T2 e para 2.253 euros/m² num T3.

No caso das moradias, o valor mediano de avaliação bancária fixou-se em 1.600 euros/m², aumentando 15,2% face ao ano passado. A Grande Lisboa (2.900 euros/m²) e o Algarve (2.795 euros/m²) voltaram a apresentar os valores mais elevados, enquanto o Centro (1.153 euros/m²) e o Alentejo (1.276 euros/m²) registaram os mais baixos.

Neste caso, uma moradia T2 registou um valor mediano de 1.601 euros/m². O valor foi de 1.551 euros/m² para um T3 e de 1.685 euros/m² para um T4.

Em junho, foram realizadas 33.595 avaliações bancárias, menos 5,5% face ao mês anterior. No entanto, trata-se de uma subida homóloga de 3% face ao número de avaliações feitas um ano antes.

Crédito à construção desacelera

Em igual período, segundo o boletim do BdP, a concessão de crédito ao setor da construção e atividades imobiliárias continuou a desacelerar, apesar de manter um crescimento significativo de 11,6% em termos homólogos.

Os empréstimos às empresas, de forma geral, estão a aumentar, crescendo 5,8% face a junho do ano passado, acima dos 5,5% registados em maio.

No final de junho, o stock de crédito empresarial chegava aos 77.500 milhões de euros, mais 1.364 milhões que no mês anterior.

Em paralelo, o crédito ao consumo e para outros fins totalizou 35,3 mil milhões de euros, após um aumento de 249 milhões de euros no mês anterior, mantendo uma taxa de crescimento anual de 9,3%.