Habitação valoriza 19% em Loures

Habitação valoriza 19% em Loures

O mais recente Pequeno Almoço Imobiliário do M2 focou-se nas oportunidades de investimento em Loures, um concelho que tem vindo a valorizar e que ainda tem grandes necessidades habitacionais.

Loures está a registar uma procura crescente por habitação, e a subida dos preços é prova disso. Só no primeiro trimestre deste ano, os valores registaram um aumento de quase 19% face a igual período de 2025, ainda assim abaixo de outros mercados.

Os números foram apresentados por Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, que fazia um pré-lançamento do Observatório Imobiliário de Loures, no Pequeno Almoço Imobiliário que a CNN/M2 organizou sob o mote “Apresentação do Estudo de Acessibilidade à Habitação – Oportunidades de Investir em Loures”, e que contou com o presidente da autarquia, Ricardo Leão.

O concelho também se destaca no pipeline de novos projetos, concentrando 1.549 fogos em licenciamento no acumulado dos últimos 12 meses, acima da média da Área Metropolitana, e evidenciando um potencial de crescimento. Entre 2020 e 2025, foram licenciados 2,8 novos fogos por cada 1.000 habitantes em Loures, acima da média de 1,8 novos fogos por 1.000 habitantes na AML, e dos 2,5 por 1.000 habitantes a nível nacional, o que comprova a dinâmica positiva do concelho.

Uma crise para quem entra no mercado

Esta forte valorização é fruto de uma dinâmica que «não reflete a realidade social de quem tenta aceder à sua primeira habitação. Estamos realmente em crise», apontou Ricardo Sousa, CEO da Century 21 Portugal e Espanha, apresentando alguns números do estudo. Segundo o responsável, é a cultura da propriedade que permite que o mercado continue a funcionar, já que «80% das transações de habitação dizem respeito a usados». Tendo em conta que a classe média portuguesa é classificada entre o 2º e o 5º escalão da Autoridade Tributária, para que cumprissem a taxa de esforço recomendada de 33% só poderiam comprar habitações até 330.000 euros, mas apenas 38% da oferta da AML se ajusta a estas famílias que, no entanto, representam 72% do total.

A habitação é um dos principais desafios do concelho, já que os preços até podem ser inferiores aso de Lisboa, mas também o rendimento das famílias é menor. O resultado, é uma taxa de esforço bastante superior à da capital, que é superada apenas por Odivelas e pela Amadora.

«O problema está no rendimento das famílias. Em Portugal, temos preços europeus para salários nacionais, e por isso precisamos de um forte investimento para impulsionar o desenvolvimento da construção industrializada», afirma o especialista.

Esforço parte do público e do privado

Responder a esta faixa da população que não encontra oferta adequada é uma oportunidade para o desenvolvimento imobiliário, e a autarquia afirma receber o investimento privado «de braços abertos», conforme garantiu o presidente, Ricardo Leão, capitalizando o potencial do concelho.

No debate moderado por Manuel Maria Gonçalves, CEO da APPII, Nuno Dias, vereador da Câmara Municipal de Loures, afirmou que «precisamos de comunidade para agir sobre o problema». Relativamente aos processos de licenciamento, avançou que é prioridade para a autarquia «construir credibilidade» e «sentar com os parceiros». Recordando que o licenciamento estava «um pouco parado» no arranque do primeiro mandato, garantiu que a autarquia tem feito um esforço para inverter a situação e acelerar processos.

Gonçalo Cadete, CEO da Solyd Property Developers, confirma que «muitas vezes, o tema do licenciamento é um ‘handicap’» mas que em Loures o tempo dos processos é relativamente certo, em torno dos 6 a 12 meses, na experiência da promotora, menos que outros municípios.

David Carreira, diretor geral da Thomas & Piron Portugal, destacou a localização estratégica de Loures no contexto da AML, e é por isso que também está a apostar no concelho. O Clarissas, um novo projeto de 700 fogos em Sacavém para a classe média, arranca a construção em 2027, e está a acolher bastante interesse.

João Moreira, Board Member da GFH, partilhou que «o nosso propósito é fazer casas para portugueses» mas «a nossa escala não nos permitiu, até ao momento, fazer habitação acessível ou grandes projetos de industrialização, e a lei também não facilita. O que pedimos às autarquias é ferramentas para podermos fazer habitação acessível». Acredita que «hoje, não é admissível que a habitação social tenha uma qualidade inferior. A única distinção que tem é apenas a área, a qualidade é a mesma».

É neste concelho que a Solyd está a desenvolver cerca de 600 novas casas no concelho, num investimento total de 210 milhões de euros. Mas Gonçalo Cadete também lamenta que a empresa não esteja ainda a avançar com a habitação acessível. Está confiante que o IVA é um fator relevante para baixar o custo da produção, a par da escolha de novas localizações. No caso de Loures, «é um concelho do qual gostamos e onde queremos continuar a investir, estamos à procura de novas oportunidades».