O investimento privado «é determinante para o desenvolvimento, para o progresso e para a melhoria da qualidade de vida das pessoas». E por isso, Loures «recebe o investimento privado de braços abertos. Estamos sempre disponíveis». É o que afirma Ricardo Leão, presidente da Câmara Municipal de Loures.
Participando na abertura do Pequeno Almoço Imobiliário “Apresentação do Estudo de Acessibilidade à Habitação – Oportunidades de Investir em Loures”, o autarca destacou aquele que é o 6º concelho mais populoso do país, com mais de 200.000 habitantes. Com 170 km², está no centro da Área Metropolitana de Lisboa, tem uma grande componente urbana, mas é também um concelho muito rural, e usufrui de boas vias de comunicação e transportes públicos, que se espera que melhorem significativamente com a chegada do Metro. No fundo, muito daquilo que um investidor procura.
A componente económica é forte, Loures tem 23.000 empresas, responsáveis por 90.000 postos de trabalho, e a logística é uma das componentes mais fortes. Já aqui estão instaladas com as suas sedes a DHL, a DPD ou, em breve, o Lidl e a (previsivelmente) a REN, mas o município quer atrair outras grandes empresas.
Mas é o imobiliário que mais se destaca. «A receita de IMT é um dos melhores indicadores que traduzem o dinamismo do investimento imobiliário de um concelho. Em 2025, recebemos 45 milhões de euros deste imposto».
As oportunidades de negócio são várias, e Ricardo Leão defende que é necessária mais oferta de habitação, de todos os segmentos de mercado. As políticas de habitação do município estão assentes em 4 vetores específicos, sendo o primeiro deles a habitação social. O investimento tem vindo a ser feito e as rendas efetivamente cobradas, e as taxas de incumprimento já desceram de 55% para 10%. Hoje, a Câmara de Loures recebe 3,4 milhões de euros por ano em rendas de habitação social. «Com o Plano de Recuperação e Resiliência, investimos dezenas de milhões de euros na requalificação dessa habitação e não só».
Em paralelo, a autarquia dá um apoio direto à habitação da classe média. Ricardo Leão avança que todos os agregados familiares que tiverem uma taxa de esforço superior a 35% com a sua habitação, podem beneficiar de um apoio de 100 a 150 euros por mês para aliviar o encargo. «Temos uma dotação orçamental de 1 milhão de euros por ano, e em 2027 vamos duplicar esse apoio».
Por outro lado, Loures quer desenvolver habitação acessível, e vai criar 300 novos fogos de forma direta até ao final deste mandato, para cidadãos trabalhadores, com rendimentos ou jovens que se querem emancipar. No modelo proposto, será feita uma avaliação da situação de cada agregado ao fim de 5 anos. Apenas uma renovação do contrato de 5 anos será permitida, «ou seja, ao final de 10 anos, aquela família tem de sair e procurar outra casa, dando a oportunidade a outros».
A autarquia também quer atrair os promotores e investidores imobiliários para desenvolver habitação acessível em parceria, num modelo em que «a câmara disponibiliza terrenos» para estes projetos, eliminando desde logo o encargo da aquisição do solo, que inviabiliza muitos projetos. «Queremos crescer nesta área, e estamos empenhados para que que os privados sejam parceiros da autarquia.

‘Queremos rapidez’
O concelho de Loures passou por alguns anos de relativa «estagnação» do progresso, segundo Ricardo Leão, e agora quer compensar o tempo perdido. «Procuramos rapidez nas respostas, é aí que temos de melhorar». Até 2021, recorda, «um particular que quisesse fazer a sua moradia passava pelos mesmos trâmites, em termos de rapidez de análise, do que um investidor que quisesse investir 300 milhões de euros. Sem desprestígio para o primeiro, isso não pode acontecer, porque penalizará o concelho. Por isso criámos um gabinete dedicado a apoiar estes investidores. Isso permitiu-nos arrepiar muito caminho no que diz respeito à atividade económica, crescemos imenso».
«Podemos ter todos os novos Simplexes, mas o que continua a ser fundamental, é sentarmo-nos todos a uma mesa para resolver os problemas. Continuamos sempre disponíveis para isso», garante.
Novo PDM vai permitir aumentar a área urbana
Destacando a atual revisão do Plano Diretor Municipal, Ricardo Leão afirmou que a cidade vai poder crescer: «pela primeira vez em muitos anos, o novo PDM vai permitir alargar a malha urbana do concelho, particularmente na zona norte, atualmente mais rural. E é aqui que entra um dos nossos fatores de competitividade face aos outros concelhos, pois somos o único concelho da Área Metropolitana de Lisboa que tem esse potencial de crescimento».
Apelando aos privados, garante que «vale a pena investir no concelho de Loures agora. Nós faremos a nossa parte, construindo equipamentos de saúde, educação, habitação pública ou mantendo as boas vias de comunicação. Queremos progredir».