Venda de casas recupera e cresce 7%

Venda de casas recupera e cresce 7%
Fotografia: Dreamstime

A recuperação da dinâmica de vendas é transversal a todo o país, justificada com uma relativa estabilidade das taxas Euribor e do conflito no Irão, depois de um primeiro trimestre mais instável.

No segundo trimestre deste ano, foram registadas 39.210 transações de compra e venda de habitação em Portugal Continental, um aumento de 7% face ao trimestre anterior, quando se venderam 36.650 fogos.

É um resultado que confirma a recuperação da procura, invertendo a descida de 12,1% registada nos primeiros três meses do ano, face ao final de 2025, período em que se transacionavam, em média, cerca de 41.000 casas por trimestre.

Os números da Confidencial Imobiliário mostram que este novo dinamismo das vendas é transversal a todas as regiões do país. Na Área Metropolitana de Lisboa as vendas aumentaram 7,0% para 11.790 transações, invertendo também a anterior descida de 8,4%. Na Área Metropolitana do Porto, registaram-se 6.500 transações, mais 7,9% face ao trimestre anterior, quando a descida tinha sido de 10,3%. No Algarve, a recuperação foi de 6,3% para 2.875 fogos vendidos, que também contrasta particularmente com a descida de 16,6% observada no primeiro trimestre do ano.

‘Um ponto de viragem’

Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, explica que esta recuperação «acompanha o sentimento captado pelo mais recente inquérito aos operadores de mercados – o Portuguese Housing Market Survey -, que já apontava um ponto de viragem no mercado após um período de enfraquecimento da atividade. No segundo trimestre, as taxas Euribor estancaram a trajetória de subida e o conflito no Golfo Pérsico passou por uma fase de acalmia, levando o mercado a reforçar os índices de confiança, levando à recuperação dos indicadores de procura».

Preços aceleram, de forma mais moderada

Em paralelo, os preços de venda da habitação estão a seguir a sua trajetória de forte crescimento, inclusive com uma ligeira recuperação do ritmo de subida. Prova disso é que o Índice de Preços Residenciais, apurado pela Confidencial Imobiliário, revela uma variação trimestral de 3,5% no segundo trimestre deste ano. São mais 0,3 pontos percentuais que os 3,2% registados no trimestre anterior. Só em maio, os preços de venda registaram uma subida acumulada de 5,7%, face ao final de 2025.

De notar que, apesar de se manter em níveis muito elevados, a valorização já exibiu uma tendência de moderação no início deste ano, que ainda é visível na taxa de variação homóloga, abaixo dos patamares de 21%, fixando-se agora nos 18,6% em junho.

A evolução deste ano acontece depois de uma no de forte valorização dos preços, que fecharam o ano de 2025 com uma valorização de 23,4%, alcançando um preço médio recorde de 3.031 euros/m² no quarto trimestre. Na segunda metade do ano passado, o ritmo de subida mensal dos preços rondou os 2%, acima dos 1,1% dos primeiros 5 meses deste ano.

Ricardo Guimarães acrescenta também que “a manutenção de níveis elevados de valorização, mesmo num contexto de menor atividade transacional e de condições macroeconómicas menos favoráveis, marcadas pelo regresso da inflação e pela persistência de taxas de juro mais elevadas, reflete o desequilíbrio estrutural entre a oferta e a procura. Enquanto a produção de nova habitação continuar insuficiente para responder às necessidades do mercado, hoje ainda mais pressionada pelo crescimento demográfico e pelos fluxos migratórios, sobretudo nas principais áreas urbanas, será difícil assistir a uma inversão desta tendência”.

De acordo com o SIR – Sistema de Informação Residencial, o preço médio de venda da habitação em Portugal Continental atingiu os 325.342 euros por fogo neste período. As habitações são vendidas, em média, em 5 meses.