Procura logística está mais exigente

Procura logística está mais exigente
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De acordo com o European Logistics Census 2026, da BGRE, antiga Brookfield Properties, e da Savills, a procura de espaço logístico mantém-se, mas está mais exigente.

Um estudo da BGRE e da Savills Portugal surge em nono lugar entre os países europeus onde os ocupantes procuram novo espaço logístico. Face a isto, a  procura de espaço logístico se mantém, “mas está mais exigente”.

Face a isto, quase metade das empresas quer edifícios novos ou feitos à medida e 89% preveem um aumento das necessidades de potência elétrica nos próximos três anos.  Portugal surge em nono lugar entre os países europeus onde os ocupantes procuram novo espaço logístico

Ainda que demorem mais a decidir, as empresas que ocupam espaço logístico na Europa continuam ativas e apostam em edifícios novos, com mais potência e preparados para operações mais complexas. O inquérito ouviu 628 participantes, dos quais 504 empresas ocupantes.

Mais de um terço dos ocupantes (38%) refere que o negócio está melhor do que há um ano e 41% esperam melhorias nos próximos 12 meses. Só 8% antecipam uma deterioração. Perto de metade (47%) conta aumentar a área de armazenagem nos próximos um a três anos, mas 54% admitem deixar pelo menos um edifício. O fim dos contratos é a ocasião para trocar espaços desajustados por instalações mais produtivas.

Kevin Mofid, Head of EMEA Industrial & Logistics Research da Savills, afirmou: “O que vemos é um mercado que abranda, mas não enfraquece. As empresas avaliam com mais cuidado as necessidades da operação antes de avançar. Demoram mais tempo, mas continuam no mercado.”

Até junho, a área contratada na Europa cresceu mais 21% que no período homólogo, chegando aos 14,01 milhões de m². O responsável comentou: “A atividade continua apoiada em fatores estruturais, como a resiliência das cadeias de abastecimento, o nearshoring e a necessidade de redes de distribuição mais eficientes. É por isso que o volume de ocupação se manteve elevado, mesmo num contexto económico mais difícil”,

Energia muda o conceito de armazém prime

Quase a maioria dos ocupantes-  47% procuram construção nova e a mesma percentagem admite soluções build-to-suit, contra 19% que equacionam imóveis usados.

Segundo o relatório, é a continuação do flight to quality, que deverá afastar ainda mais os ativos modernos do resto do mercado. Potência elétrica, especificações técnicas, acesso a mão de obra e capacidade de adaptação passaram a definir o que é um armazém prime.

A energia é o ponto mais sensível e 89% dos ocupantes antecipam necessidades de potência maiores nos próximos três anos. Mais de um quarto (26%) diz já não ter capacidade suficiente nas instalações atuais e 50% apontam o investimento em infraestruturas energéticas como a medida pública mais útil. A tecnologia vai aumentar esta pressão. Mais de metade dos ocupantes planeia investir mais em inteligência artificial e 42% em automação de armazéns.

Ben Segelman, Head of Europe Industrial & Logistics da BGRE referiu que os ocupantes procuram mais do que espaço: “Procuram ativos capazes de acolher operações mais complexas, com maior peso da tecnologia, e de garantir eficiência a longo prazo.” Para investidores e promotores, acrescenta, “a oportunidade está em desenvolver imóveis que respondam a estas exigências, cada vez mais precisas, em vez de contar com o impulso geral do mercado”.

Ocupantes dividem-se entre grandes armazéns e unidades de média dimensão

O relatório identifica ainda um desfasamento entre a procura e a construção. Os ocupantes dividem-se entre grandes armazéns e unidades de média dimensão, mas 62% dos promotores apostam agora no formato médio, contra 38% em 2025. A disponibilidade de energia é o principal travão, apontado por 77%.

Do lado do investimento, o volume aplicado em logística na Europa somou 18,7 mil milhões de euros até junho, 10% abaixo da média de longo prazo. Só 34% dos investidores esperam uma subida nos próximos 12 meses, contra 57% em 2025, mas 81% apontam a logística prime como alvo, mais do que os 73% do ano anterior.

Investidores escolhem mercados diferentes

Segundo o estudo, quem investe prefere o Reino Unido, Espanha e Alemanha. Quem ocupa olha primeiro para França e Alemanha, e Portugal aparece em nono lugar nessa lista.

Segundo Tiago Cortez, Associate Director, Industrial, Logistics & Data Centres da Savills Portugal: “Subimos duas posições face ao estudo de 2025. A disponibilidade de energia é um fator central nas decisões de investimento e pesa ainda mais na indústria e na logística. As tecnologias que os ocupantes querem implementar são, por ordem de importância, a inteligência artificial, a eletrificação das frotas e a robótica e automação, e as empresas pretendem acelerar o caminho para a neutralidade carbónica. Portugal parte com vantagem nestas áreas, com potência disponível, uma das maiores quotas de renováveis e preços de energia entre os mais baixos da Europa.”

Por sua vez, Kevin Mofid concluiu: “Os armazéns modernos, bem localizados e com potência suficiente vão continuar a ser muito procurados, enquanto os mais antigos ou menos funcionais correm o risco de ficar para trás.”

O estudo antecipou, por ultimo, que a procura vai manter-se, embora mais seletiva, e que o desempenho de cada ativo dependerá cada vez mais das suas características.