Ao longo dos séculos, foram sobretudo os homens que desenharam as cidades. Mas foram também as mulheres que lhes deram alma. Foram elas que criaram laços de vizinhança, cuidaram das comunidades e transformaram espaços em lugares de encontro e partilha. Talvez por isso tenham desenvolvido uma forma diferente de olhar para a cidade. Não apenas como um conjunto de edifícios, mas como o cenário onde a vida acontece.
Em Portugal, figuras como Maria José Estanco, a primeira mulher arquiteta, e Maria de Lourdes Pintasilgo ajudaram a abrir caminho, defendendo cidades mais inclusivas e atentas às necessidades das pessoas. O seu legado continua presente numa visão urbana que coloca a qualidade de vida no centro das decisões.
Hoje, a presença feminina no imobiliário é cada vez mais expressiva. E essa evolução reflete-se na forma como pensamos os espaços onde vivemos. Quando participam na definição das cidades, as mulheres tendem a valorizar aspetos como a proximidade a serviços, os espaços verdes, a segurança e os locais de convivência. São elementos que tornam o dia a dia mais simples, confortável e acolhedor para todos.
Nos centros de decisão, as mulheres assumem um papel cada vez mais relevante. Tendência natural, já que grande parte das decisões relacionadas com a compra de habitação é tomada ou influenciada por mulheres. Mais do que metros quadrados, é importante existir conforto, funcionalidade, bem-estar e qualidade de vida. Porque a casa é o lugar onde regressamos ao fim do dia, onde vemos os filhos crescer, onde celebramos conquistas e construímos memórias.
Esta perspetiva está profundamente alinhada com o conceito de cidades sustentáveis. Sustentabilidade é também proximidade, segurança, mobilidade e coesão social. É criar espaços pensados para as pessoas, onde seja possível viver melhor e com equilíbrio.
Reconhecer o papel das mulheres não é apenas fazer justiça ao passado. É perceber que o futuro das cidades e do imobiliário será mais forte, mais sustentável e mais humano quanto maior for a capacidade de integrar a visão, a experiência e a liderança feminina.
Porque as melhores cidades não são apenas aquelas que se constroem. São aquelas que sabem cuidar de quem nelas vive.