Aveiro quer captar mais investimento para habitação

Aveiro quer captar mais investimento para habitação

«Temos a habitação como problema número um. E insisto sempre em dizer que não é o problema número um de Aveiro, é o problema número um do país e também da Europa».

Posicionar o concelho como um dos mais atrativos para o investimento imobiliário é prioridade para a Câmara Municipal de Aveiro, que está a apostar numa estratégia centrada no reforço da oferta habitacional, na flexibilização do ordenamento urbanístico e na criação de novas centralidades.

As palavras são de Luís Souto de Miranda, presidente da autarquia, que falava durante o mais recente Pequeno-Almoço Imobiliário CNN Portugal/M2, promovido com o apoio da Century 21, da Civilria e da Confidencial Imobiliário, a 19 de maio, em Aveiro. Na ocasião, referiu que «a Câmara Municipal de Aveiro está absolutamente aberta aos investidores. Estamos interessados e empenhados em ir, de uma forma ativa, procurar oportunidades de investimento para quem quer investir em Aveiro e, em particular, neste setor do imobiliário», afirmou o autarca, defendendo que a crise da habitação deixou há muito de ser apenas um problema local. «Reconhecidamente, nós temos a habitação como problema número um. E insisto sempre em dizer que não é o problema número um de Aveiro, é o problema número um do país e também da Europa».

O autarca identifica uma série de medidas prioritárias para este fim, incluindo a revisão dos instrumentos de ordenamento do território, numa lógica de maior flexibilidade. «Estamos interessados, abertos e empenhados em fazer alterações aos instrumentos de ordenamento, adaptando-nos, quando se justificar, para encontrar soluções de flexibilidade para crescer a oferta habitacional», garantiu.

Luís Souto de Miranda, presidente da Câmara Municipal de Aveiro
Luís Souto de Miranda, presidente da Câmara Municipal de Aveiro

Outra prioridade é reduzir a pressão sobre o centro e criar novas centralidades em diferentes freguesias, aproveitando áreas onde os preços dos terrenos são mais acessíveis. «O município tem de expandir», referiu, destacando também o potencial da construção em altura, que é interessante do ponto de vista da descarbonização. «Nós não temos qualquer preconceito» em relação a esse tema.

Crescimento demográfico impulsiona o mercado

Durante este evento, ficou patente que Aveiro se continua a destacar pela sua dinâmica industrial, e evidencia um importante crescimento demográfico, que está a potenciar o imobiliário. Prova disso, é que os preços das casas no município cresceram cerca de 25% nos últimos anos, acima da média nacional de 18%, segundo a Confidencial Imobiliário.

Ricardo Sousa, CEO da Century 21, alertou para o crescente desequilíbrio entre os preços da habitação e a capacidade financeira das famílias portuguesas. «Se olharmos para a evolução dos números apresentados pelo estudo ‘Acessibilidade à Habitação’, nós temos Portugal a duas velocidades. Há uma desproporção muito grande entre aquilo que foi a evolução dos preços e do rendimento líquido das famílias portuguesas».

A grande dinâmica mantém-se apenas porque mais de 70% dos portugueses são proprietários, e dois em cada três já têm a sua casa completamente ou praticamente paga. «É isto é o que faz mover o mercado. Porque as pessoas compram casa não com os seus rendimentos, mas com o seu património acumulado no passado. Se eu tenho uma casa, vendo a minha casa, posso recorrer a crédito, e isto permite comprar uma casa cujos rendimentos não permitiriam», exemplifica. E avisa que as novas regras do Banco de Portugal, que pretende baixar o limite da taxa de esforço de 50% para 45%, «podem mudar as regras do jogo no acesso à habitação em Portugal».

Ricardo Sousa, CEO da Century 21
Ricardo Sousa, CEO da Century 21

Arrendamento é chave da resposta à habitação

A mesa de debate que reuniu Rui Santos, vereador da Câmara Municipal de Aveiro, Artur Varum, CEO da Civilria e Ricardo Sousa, CEO da Century 21, deixou claro que é preciso criar condições para aumentar a oferta habitacional, acelerar os processos de licenciamento e reforçar a confiança no mercado de arrendamento. Para Rui Santos, Portugal continua marcado por uma forte cultura de propriedade, sendo necessário criar uma legislação «mais facilitadora» para incentivar os proprietários a colocarem imóveis no mercado de arrendamento. Na mesma linha, Artur Varum destacou que os incentivos fiscais ao arrendamento são «uma mensagem claramente positiva» para o mercado. Para Ricardo Sousa, o arrendamento é sobretudo a solução adequada para necessidades habitacionais de curto prazo. O desafio, concluiu, passa por «puxar o mercado de arrendamento informal para o mercado formal».