Os dados recentemente divulgados pelo INE (Instituto Nacional de Estatística), mostram uma subida dos valores do arrendamento a nível nacional. A renda mediana aumentou em todas as 26 sub-regiões NUTS III face ao segundo trimestre de 2025.
Lisboa atinge a renda mediana mais elevada
A Grande Lisboa foi a sub-região com a renda mediana mais elevada, atingindo 15,24 euros/m². Seguiram-se a Região Autónoma da Madeira, com 12,78 euros/m², a Península de Setúbal, com 11,99 euros/m², o Algarve, com 11,56 euros/m², e a Área Metropolitana do Porto, com 10,83 euros/m².
Estas cinco sub-regiões foram as únicas a apresentar valores superiores à mediana nacional, de 10,17 euros/m². A Grande Lisboa e a Área Metropolitana do Porto concentraram, em conjunto, 45,1% dos novos contratos de arrendamento no segundo trimestre.
Maior crescimento ocorreu no Alentejo Litoral
Em termos de evolução homóloga, o maior crescimento ocorreu no Alentejo Litoral, onde a renda mediana aumentou 21,6%. Seguiram-se Terras de Trás-os-Montes, com 17,6%, a Região Autónoma da Madeira, com 17,4%, e a Lezíria do Tejo, com 17%.
Face ao primeiro trimestre de 2026, a renda mediana aumentou em 24 das 26 sub-regiões. A Região Autónoma dos Açores apresentou o crescimento trimestral mais expressivo, de 16,3%. Apenas o Baixo Alentejo (-3,7%) e o Alto Alentejo (-3,6%) registaram descidas.
Mais contratos, mas crescimento moderado
O aumento das rendas foi acompanhado por uma evolução mais contida no número de novos contratos. No segundo trimestre foram celebrados 35.407 contratos, o que corresponde a um crescimento de 0,4% face ao período homólogo.
Das 26 sub-regiões NUTS III, 13 registaram uma diminuição homóloga do número de novos contratos. O maior crescimento ocorreu no Alentejo Litoral, com uma subida de 13,5%.
Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, dez apresentaram uma evolução do número de novos contratos superior à média nacional. Almada destacou-se com um crescimento de 17,2%, seguida de Lisboa e Seixal, ambos com 5,6%. Em sentido contrário, o número de novos contratos caiu em 14 municípios, com Matosinhos (-14%) e Maia (-13,2%) a registarem as maiores descidas.
Lisboa lidera entre os grandes municípios
Como já referido anteriormente, Lisboa apresentou, no segundo trimestre, a renda mediana mais elevada entre os 24 municípios com mais de 100 mil habitantes, com 17,79 euros/m². Apesar disso, a subida homóloga foi de 5,1%, abaixo do crescimento de 10,2% observado a nível nacional.
Guimarães registou a maior variação homóloga entre estes municípios, com uma subida de 20,7%, embora a renda mediana tenha permanecido em 7,87 euros/m².
Também o Funchal se destacou, com uma renda mediana de 14,49 euros/m² e um crescimento homólogo de 17%. Na Grande Lisboa, Loures apresentou uma renda de 13,03 euros/m², (+16,1%), enquanto Vila Franca de Xira atingiu 11,39 euros/m², mais 10,4% do que um ano antes.
Na Área Metropolitana do Porto, as rendas medianas ficaram acima da referência nacional na maioria dos municípios. As exceções foram Maia, com 10,04 euros/m², Gondomar, com 9,23 euros/m², e Santa Maria da Feira, com 7,03 euros/m².
T0 e T1 com rendas mais elevadas
No segundo trimestre, 25 das 26 sub-regiões NUTS III registaram os valores mais elevados nas tipologias T0 ou T1, - a única exceção foi o Alentejo Litoral, onde a renda mediana mais elevada correspondeu aos T2.
A Grande Lisboa apresentou os valores mais elevados em todas as tipologias analisadas. Na Área Metropolitana do Porto verificou-se a maior diferença entre tipologias, com a renda mediana dos T0 ou T1 a atingir 14,08 euros/m², contra 6,49 euros/m² nos T4 ou superiores.
Lisboa chega aos 17,43 euros/m² num ano
Considerando os 12 meses terminados em junho de 2026, foram celebrados 151.181 novos contratos de arrendamento em Portugal. Neste período, a renda mediana fixou-se em 9,76 euros/m², mais 9,4% face ao período homólogo e 2,7%.
A Grande Lisboa voltou a apresentar o valor mais elevado, com 14,71 euros/m², seguida da Madeira (12,32 euros/m²), Península de Setúbal (11,56 euros/m²), Algarve (10,96 euros/m²) e Área Metropolitana do Porto (10,53 euros/m²).
No conjunto dos 12 meses, 37 municípios registaram rendas superiores à mediana nacional. Lisboa liderou, com 17,43 euros/m², seguida de Cascais, com 16,83 euros/m², Oeiras, com 15,75 euros/m², e Sines, com 15,07 euros/m².
Lisboa foi também o município com maior número de novos contratos no período, totalizando 17.575, mais 7% do que no período homólogo. Porto e Sintra ultrapassaram igualmente os 5.000 contratos, com 7.757 e 5.182, respetivamente.
Estrela e Santa Maria Maior acima da média de Lisboa
A análise ao mercado de arrendamento nas freguesias de Lisboa revela diferenças significativas dentro do município.
Nos 12 meses terminados em junho de 2026, a renda mediana em Lisboa foi de 17,43 euros/m², com uma variação homóloga de 4,6%. Cinco freguesias apresentaram simultaneamente valores de renda e crescimentos superiores aos registados no município.
A Estrela apresentou uma renda mediana de 20 euros/m², com uma subida homóloga de 5,9%. Seguiram-se Santa Maria Maior, com 19,92 euros/m² e uma (+6,5%), Campolide, com 18,48 euros/m² (+5,3%=, São Vicente, com 18,44 euros/m² (+6,3%), e Marvila, com 18,33 euros/m² (+9%).
Apesar de apresentar uma renda superior à média do município, Santo António registou 21,55 euros/m², Misericórdia registou um valor de 19,95 euros/m², Campo de Ourique de 19,23 euros/m², Parque das Nações de 18,88 euros/m², Ajuda (18,47 euros/m²) e Avenidas Novas (18,26 euros/m²) apresentaram valores superiores à mediana municipal. Santa Clara registou a renda mais baixa entre as freguesias de Lisboa, com 13,39 euros/m², mas foi também a que apresentou a maior subida homóloga, de 12%.
Arroios concentrou o maior número de novos contratos de arrendamento, com 1.664 contratos, enquanto Carnide registou o menor número, com 203.
Porto com renda mediana de 14,48 euros/m²
No Porto, a renda mediana dos novos contratos nos 12 meses terminados em junho atingiu 14,48 euros/m², mais 5,4% do que no período homólogo.
O Bonfim foi a única freguesia a apresentar, simultaneamente, uma renda e uma taxa de crescimento superiores às referências do município, com 14,89 euros/m² e uma subida homóloga de 8,4%.
A União de freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória apresentou a renda mais elevada do município, de 15,20 euros/m², embora com um crescimento homólogo de 3,5%.
Ramalde registou a maior subida, de 8,8%, para uma renda mediana de 13,28 euros/m². Já Campanhã foi a única freguesia a apresentar uma descida homóloga da renda, de 1,5%, fixando-se em 13,30 euros/m².
Em número de contratos, a União de freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória liderou, com 2.268 novos contratos. No extremo oposto, a União das freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde registou 438 contratos.