Matosinhos assume habitação como “prioridade estratégica”

Matosinhos assume habitação como “prioridade estratégica”
Luísa Salgueiro, presidente da Câmara Municipal de Matosinhos

Acenando ao imobiliário, Luísa Salgueiro afirma que que «em Matosinhos, os investidores privados encontram regras claras e uma visão a longo prazo de onde e como a cidade vai crescer». A reabilitação urbana é «parte central da estratégia de cidade».

A habitação é assumida como «prioridade estratégica» pela Câmara Municipal de Matosinhos, que se prepara para responder às necessidades de várias formas, lançando mais 500 fogos de habitação pública ou incentivando o investimento privado e os modelos de construção para arrendamento.

Em entrevista ao M2, no âmbito da Semana da Reabilitação Urbana do Porto, que decorreu esta semana em Matosinhos, a presidente da Câmara Municipal, Luísa Salgueiro, referiu que voltar a receber o evento «é a confirmação de que o concelho se tornou um ponto de encontro natural entre quem pensa, financia, projeta e constrói a cidade – promotores, investidores, arquitetos, construtoras, academia e decisores públicos. É este lugar-comum que torna Matosinhos um habitat natural para discutir urbanismo. Demos um passo em frente, porque acreditamos que Matosinhos é a capital da habitação».

Luísa Salgueiro avança que a autarquia já concluiu a construção das 512 habitações com que se comprometeu no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, e prepara-se para criar mais 500 novos fogos para a classe média, entendendo que as respostas à habitação «não podem ser estáticas», e devem acompanhar as necessidades e os perfis da procura. «Os nossos programas estão em avaliação contínua, e fazemos um balanço positivo, porque temos uma base sólida e capacidade de a adaptar a novos desafios». Para a autarca, um deles é o aumento das famílias com emprego e rendimentos estáveis que não conseguem acompanhar os preços do mercado. Estas pessoas «ficaram sem resposta durante muito tempo. A nossa ambição é não deixar ninguém sem resposta, e é esse o princípio que orienta o nosso trabalho».

Em paralelo, a Câmara Municipal de Matosinhos também está a rever o seu regulamento municipal da renda acessível e a criar os instrumentos necessários para que os privados possam apostar em modelos Build to Rent. Luísa Salgueiro afirma que «responder a esta necessidade também exige investimento privado. Matosinhos promove ativamente esse caminho, criando as condições para que o setor invista com confiança». Garante que «em Matosinhos, os investidores privados encontram regras claras e uma visão a longo prazo de onde e como a cidade vai crescer».

Uma cidade mais compacta

Está em curso uma mudança no planeamento de Matosinhos. «A cidade que estamos a construir é mais compacta, mais sustentável e mais bem ligada. Em vez de continuar a expandir a urbanização, consolidamos e completamos o que já existe». Luísa Salgueiro explica que o crescimento se concentra nas áreas mais próximas do Porto, como São Mamede de Infesta e Senhora da Hora, ocupando e qualificando os espaços livres que ainda restam. «As Áreas Urbanas Disponíveis a Consolidar permitem preencher os vazios da malha urbana com habitação, incluindo habitação acessível, espaços verdes e equipamentos». A autarca acredita que «as áreas estratégicas de maior dimensão só avançam com planeamento detalhado, programação financeira e compromissos concretos entre as partes. Urbaniza-se onde há necessidade comprovada e financiamento garantido, e não com base em expectativas».

Reabilitar antes de fazer novo

Assumindo que construir é necessário, «um território que quer crescer de forma sustentável tem, primeiro, de valorizar o que já tem: o edificado existente, a identidade dos bairros e as infraestruturas que já servem as pessoas. É por isso que Matosinhos tem vindo a alargar progressivamente as suas Áreas de Reabilitação Urbana, mas sempre com estratégia. Não reabilitamos edifícios isoladamente; intervimos no conjunto. Requalificamos o espaço público, reforçamos a mobilidade e trazemos novas funções, como habitação, comércio e serviços, que devolvem vida aos bairros sem lhes retirar a identidade». Este investimento «valoriza as áreas envolventes e sustenta a procura a longo prazo. A esta base somam-se um mercado de emprego qualificado, que gera uma procura sólida. É esta combinação de incentivos, planeamento e procura que permite ao investidor privado entrar com confiança, ao lado de um município que assume a reabilitação como parte central da sua estratégia de cidade».

‘Território de inovação’

Para Luísa Salgueiro, a ambição também passa por «afirmar Matosinhos como um território de inovação, sustentabilidade e qualidade de vida. Mais do que atrair investimento, queremos atrair empresas que se integrem na comunidade, que criem oportunidades para os nossos jovens, que valorizem os recursos locais e que contribuam para qualificar o território Continuaremos a apostar numa atuação proativa na captação de investimento, na simplificação administrativa, na qualificação do espaço público e numa forte promoção nacional e internacional do concelho como um lugar de excelência para investir, trabalhar e viver».