A nova mediação não é menos humana

A nova mediação não é menos humana

Em setembro, em Coimbra, debatemos a “Nova Mediação”. E fiquei com uma convicção: quanto mais tecnológico se torna o mercado imobiliário, mais importante se torna aquilo que a tecnologia não consegue substituir.

A inteligência artificial, a digitalização e o acesso imediato à informação estão a mudar a nossa atividade. Hoje, um cliente chega a uma agência muito mais informado. Compara imóveis, simula créditos e acompanha tendências. Mas ter mais informação não significa conhecer melhor o mercado.

É aqui que o papel do mediador ganha uma nova dimensão.

A tecnologia organiza dados, acelera processos e automatiza tarefas. Mas não conhece uma rua como quem nela trabalha há anos. Não percebe porque dois imóveis aparentemente semelhantes podem ter valores diferentes. Não interpreta a urgência de uma família ou a realidade económica de um território. E, sobretudo, não cria confiança.

Foi essa a ideia que procurámos deixar em Coimbra: a Nova Mediação não é uma mediação sem pessoas. É uma mediação com profissionais mais preparados, mais rigorosos e com melhores ferramentas, precisamente para terem mais tempo para ouvir, aconselhar e negociar.

Isto é particularmente importante na Região Centro. Não existe um único mercado imobiliário. Coimbra, Aveiro, Viseu, Guarda, Castelo Branco ou os territórios do interior vivem realidades diferentes. Há zonas com forte procura e outras onde o desafio passa por captar investimento, recuperar património, criar oferta e fixar população. Tratar mercados tão diferentes da mesma forma é ignorar aquilo que o imobiliário tem de mais importante: o território.

Por isso, quanto mais digital se torna o mercado, mais importante se torna o conhecimento local.

O mediador do futuro não será aquele que compete com a tecnologia. Será aquele que souber utilizá-la para ser melhor profissional. Terá de compreender dados, acompanhar alterações fiscais e contratuais, conhecer novas ferramentas, perceber o investimento e continuar a apostar na sua qualificação.

Mas terá também de continuar a fazer algo muito antigo: conhecer pessoas.

Uma casa não é apenas um ativo, um preço por metro quadrado ou uma linha numa base de dados. É, muitas vezes, a maior decisão financeira de uma família. E decisões desta dimensão precisam de informação, mas também de contexto, aconselhamento e responsabilidade.

A Nova Mediação não nos vai ser entregue pronta por uma nova lei, por uma plataforma ou pela inteligência artificial. Constrói-se todos os dias, em cada visita, em cada negociação e em cada cliente que termina um negócio sentindo que tomou uma decisão mais segura.

Talvez seja essa a verdadeira transformação: usar mais tecnologia para podermos dedicar mais tempo às pessoas.