Mediação na primeira linha de resposta à habitação

Mediação na primeira linha de resposta à habitação

Durante um dia, no Estoril, falou-se de economia, habitação, fiscalidade, arrendamento, intermediação de crédito, inteligência artificial, estratégias comerciais e histórias de quem vive diariamente a profissão. Temas distintos, mas unidos pela mesma conclusão: a mediação imobiliária ocupa hoje um lugar central nas respostas para o acesso à habitação.

Foi esta a reflexão que retirei da quarta edição da Convenção APEMIP Imocionate, que reuniu cerca de 700 profissionais para pensar o presente e preparar o futuro da atividade. Um encontro que mostrou a maturidade de um setor cada vez mais determinante.

O debate económico deixou uma ideia evidente: o crescimento, por si só, não resolve o problema da habitação. É indispensável que se traduza em rendimento disponível, acesso ao financiamento e, sobretudo, mais oferta. Enquanto a oferta continuar aquém das necessidades, a pressão sobre os preços manter-se-á.

Fiscalidade e arrendamento trouxeram outra prioridade: estabilidade, previsibilidade e confiança. Proprietários, promotores, investidores e famílias precisam de regras claras e segurança jurídica para que o arrendamento assuma um papel mais relevante.

A intermediação de crédito reforçou que comprar casa vai muito além da escolha de um imóvel. Exige planeamento financeiro, conhecimento e decisões bem fundamentadas. A mediação ganha valor quando trabalha com especialistas e oferece uma visão integrada do processo.

Um dos momentos mais inspiradores foi a partilha dos consultores imobiliários. Percursos e histórias de superação demonstraram que o sucesso se constrói com preparação, disciplina, ética, consistência e dedicação ao cliente. São valores que elevam a profissão e reforçam a confiança numa das decisões mais importantes da vida.

A inteligência artificial ocupou lugar de destaque. As novas tecnologias são uma oportunidade para aumentar a eficiência, simplificar processos e libertar tempo para o que faz a diferença. Porque a confiança, a empatia e a capacidade de compreender cada pessoa continuam a ser insubstituíveis.

É por esta evolução que a nova Lei da Mediação Imobiliária assume uma importância decisiva. O setor transformou-se, ganhou dimensão e tem hoje um papel essencial no mercado da habitação. O enquadramento legal deve acompanhar esta realidade, valorizando a qualificação e a transparência e protegendo os consumidores.

Saio desta Convenção com orgulho e compromisso. Orgulho por ver um setor mobilizado para aprender, debater e elevar os padrões da profissão. Compromisso porque os resultados se constroem no trabalho diário de empresas e profissionais que ajudam famílias e empresas a encontrar soluções.

A mediação imobiliária deixou há muito de ser apenas uma atividade de intermediação. Hoje, faz parte da solução para a habitação em Portugal.