Em junho, o Índice de Preços Residenciais registava uma valorização homóloga de 18,6%. No mesmo semestre, o montante dos novos contratos de crédito à habitação, excluindo renegociações, cresceu 11,3%.
Parece contraditório. Não é. Cada indicador mede uma realidade diferente: o valor dos negócios que se realizam, o número de decisões que chega à escritura e o montante financiado. A leitura que retiro destes dados é clara: o mercado não parou, mas tornou-se mais seletivo. Mais financiamento contratado não significa, por si só, mais famílias com acesso à habitação. Pode refletir preços mais elevados, empréstimos médios superiores ou uma procura efetiva mais concentrada em famílias com maior capacidade financeira.
A média nacional também já não chega. No mesmo distrito, concelhos próximos podem avançar a ritmos muito diferentes. Nenhum proprietário vende uma média nacional e nenhuma família compra um índice. O valor de uma casa decide-se na zona, na tipologia, no estado do imóvel, na concorrência disponível e na capacidade da procura que pode efetivamente concluir a compra.
As novas medidas macroprudenciais do Banco de Portugal reforçam esta exigência. O limite geral recomendado de 45% para o DSTI é um máximo prudencial, não uma aprovação automática. A responsabilidade do profissional não é levar a família até ao limite, mas ajudá-la a compreender o que consegue concretizar hoje e continuar a suportar amanhã.
Há ainda uma realidade que os números separam, mas que as famílias vivem como uma única decisão: quem vende é, muitas vezes, quem precisa de comprar. Sobrevalorizar a casa atual pode parecer uma proteção, mas pode bloquear a casa seguinte. Por isso, o preço não é apenas um número. Há o preço desejado, o preço sustentado pelos comparáveis e pela procura local e o preço executável — aquele que permite concretizar a próxima decisão dentro do prazo disponível.
Nesta reta final do ano, não precisamos de previsões estridentes. Precisamos de disciplina: acompanhar o stock, o tempo até à proposta, as revisões de preço e a passagem entre intenção, aprovação e escritura. O volume mede a atividade, a conversão revela onde o acesso se perde.
Na Century 21 procuramos assumir esta responsabilidade: usar dados e tecnologia sem substituir proximidade, julgamento e responsabilidade profissional. A nossa relevância não se mede por sabermos mais do que o cliente, mas por o ajudarmos a decidir melhor. Num mercado mais seletivo, confiança não é uma palavra de marca. É o resultado de ler os dados antes, explicar com clareza e agir com os pés no chão. É assim que se protege cada decisão.