BdP alerta para o risco de correção de preços na habitação

BdP alerta para o risco de correção de preços na habitação
Fotografia: Pexels

Segundo o Banco de Portugal, o mercado habitacional continuou a registar um crescimento expressivo dos preços no último ano, impulsionado pela forte procura e limitações na oferta, agravando os problemas de acesso à habitação. Paralelamente, o aumento do recurso ao crédito nas transações imobiliárias elevou a exposição do setor bancário ao mercado, num contexto em que choques económicos, financeiros ou monetários podem provocar correções nos preços e afetar a estabilidade financeira.

O Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal, que analisa os riscos emergentes nos mercados e sistema financeiro portugueses, identificando os possíveis choques adversos e avaliando as suas consequências para a estabilidade do sistema financeiro, referiu que, a nível interno, uma possível correção dos preços no mercado imobiliário residencial poderá ser uma fonte de risco.

Em primeiro lugar, foi referido que os principais riscos para a estabilidade financeira aumentaram, devido às tensões geopolíticas, e o seu agravamento ou a eventual correção súbita dos mercados financeiros, podem afetar negativamente a atividade económica, a inflação, os preços dos ativos e, por último, a capacidade de famílias e empresas pagarem os seus créditos. 

O BdP sublinhou também que os preços no mercado imobiliário poderão registar uma correção, marcada pelo aumento do crédito à habitação - depois das fortes subidas, existe o risco de uma redução abrupta e inesperada dos preços das casas, potenciada por um cenário de desaceleração económica e correção nos mercados financeiros internacionais.

Por último risco cibernético sistémico foi também mencionado, já que a aceleração da digitalização aumenta a dependência face aos prestadores externos e a infraestruturas críticas, e, portanto, “os novos modelos de inteligência artificial podem acelerar e aumentar os ciberataques”, para além das tensões geopolíticas, que contribuem para o perfil de risco do sistema financeiro.

No entanto, a autoridade afirmou que o sistema bancário português tem demonstrado “solidez e resiliência”, com os bancos a apresentaram elevada rendibilidade, liquidez e capital sólidos e boa qualidade de ativos, num contexto de mercado de trabalho robusto, crescimento acima da área do euro e baixo envidamento.

Face a isto, o regulador nacional refere a necessidade de os bancos manterem uma gestão cautelosa dos riscos, analisando “eventuais perdas e garantindo que têm capacidade para as acomodar”. A capacidade de fortalecer a prevenção e responder a ciberincidentes e outros eventos que possam comprometer o normal funcionamento do seu negócio foi também uma necessidade destacada.