No âmbito da entrega do Prémio Reabilita Braga, a 10 de julho, o Museu D. Diogo de Sousa recebeu mais de 200 pessoas para um debate centrado na habitação e na reabilitação urbana, sob o mote “Braga. Mercado habitacional em crescimento”.
Para Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, «Braga é um território de oportunidades. Tem património, população, universidade, cultura, disponibilidade de solo e, mais importante, tem promotores e empreiteiros». E os principais indicadores refletem esta dinâmica. De acordo com a análise desenvolvida pela Confidencial Imobiliário para o Observatório Urbano de Braga, no 1º trimestre de 2026, a renda média situou-se em 10 euros/m² e o preço médio de compra atingiu os 2.228 euros/m². Destacou que «Braga apresenta um ritmo de valorização mais acelerado» do que outros territórios comparáveis, tais como, Coimbra, Aveiro e Leiria.
Pressão habitacional aumenta
Se, por um lado, o mercado evidencia uma vitalidade assinalável, por outro, o acesso à habitação continua a revelar profundas fragilidades. O estudo 'Acessibilidade à habitação em Portugal' apresentado pela Century 21 expõe um desequilíbrio crescente entre a oferta disponível e a capacidade financeira das famílias em todo o país.
Sandra Ramos Dias, diretora-Geral da Finance21, explicou que, no caso de Braga, a pressão sobre o mercado residencial tem vindo a intensificar-se, embora permaneça relativamente inferior à observada noutras cidades de média dimensão. Isto resulta da conjugação de vários fatores: crescimento urbano, emprego qualificado, presença da universidade, proximidade ao Porto e elevada qualidade de vida. São atrativos que exigem uma resposta robusta do lado da oferta: «Braga tem uma importante janela de oportunidade. A prioridade é transformar crescimento económico em rendimento local e nova oferta habitacional acessível».
Mais parcerias e mais terrenos
Estes números serviram de ponto de partida para a mesa de debate 'Habitação acessível. Onde estão as oportunidades para investir e construir?', que reuniu Pedro Nascimento, administrador executivo da BragaHabit; Pedro Ferreira, CEO do Grupo Acrescentar; Ana José Teixeira, CEO da dst Real Estate; Alexandre Fernandes, Executive Director Developments - Europe da Sonae Sierra; e João Oliveira Maia, diretor do Conselho de Orientação e Fiscalização do Grupo Casais. Apesar das diferentes perspetivas, o consenso foi praticamente absoluto: aumentar a oferta habitacional a preços acessíveis dependerá de uma maior colaboração entre os setores público e privado, bem como da disponibilização de solo para construção.
«Só através de parcerias com o município é possível colocar casas a preços mais acessíveis», afirmou Ana José Teixeira. Também Alexandre Fernandes considera que «só vamos ter escala e rapidez com parcerias. Não vai haver resposta suficiente apenas com privados ou apenas com o setor público», disse recordando a experiência já desenvolvida no Porto, no âmbito do programa 'Porto com Sentido', que permitiu «uma importante redução de custos e de riscos». Do lado da BragaHabit, Pedro Nascimento garantiu que «temos de ser capazes de, juntamente com os privados, dar resposta às necessidades mais prementes. Sem os privados não é possível».
Falta de profissionais preocupa todo o setor
A escassez de profissionais qualificados constitui um dos principais entraves ao desenvolvimento do setor. Assim concordaram os especialistas presentes na sessão "O papel da reabilitação urbana na transformação das cidades", que reuniu Fernando de Almeida Santos, bastonário da Ordem dos Engenheiros; Avelino Oliveira, presidente da Ordem dos Arquitectos; João Carlos dos Santos, arquiteto e em representação do Património Cultural; e Filipe Ferreira, membro da Direção do GECoRPA.
«Faltam profissionais à construção», afirmou Fernando de Almeida Santos, recordando que Portugal precisa de cerca de 500 novos engenheiros, por ano, durante a próxima década. Também a Ordem dos Arquitectos alerta para a perda de talento nacional que emigra devido aos baixos salários. «Estamos a perder quem sabe fazer», advertiu Avelino Oliveira. Para Filipe Ferreira há um problema cultural e que é preciso ultrapassar. «É preciso superar preconceitos, ultrapassar estigmas e valorizar quem quer e sabe fazer».