Temos financiamento disponível, projetos estratégicos identificados e metas ambiciosas para a habitação, as infraestruturas e a modernização económica. O que continua demasiadas vezes a faltar são condições para executar com previsibilidade, rapidez e eficiência.
É aqui que o setor da construção e do imobiliário assume uma importância estratégica nacional.
Sem construção não haverá mais habitação. Sem construção não haverá execução do PTRR. Sem construção não haverá modernização das infraestruturas nem transição energética.
As empresas portuguesas estão preparadas para responder. Possuem experiência, capacidade técnica e know-how reconhecido, dentro e fora do país. Mas persistem bloqueios que continuam a limitar a resposta nacional.
Na habitação, o maior custo invisível continua a ser o tempo administrativo. Licenciamentos demorados, burocracia excessiva, ausência de uniformização entre municípios e instabilidade regulatória continuam a travar investimento e a limitar a oferta.
Também nas obras públicas os sinais merecem atenção. A desaceleração recente da contratação pública demonstra que o principal risco deixou de ser financeiro e passou a ser operacional.
Não basta anunciar investimento. É necessário garantir concursos executáveis, preços base realistas, revisão de preços eficaz, pagamentos atempados e decisões administrativas céleres.
Ao mesmo tempo, o setor enfrenta um desafio estrutural crítico: a escassez de mão de obra.
Sem trabalhadores qualificados não haverá capacidade para executar os investimentos de que o país necessita. Precisamos de reforçar a formação profissional, atrair jovens para o setor e criar mecanismos mais rápidos de integração de trabalhadores estrangeiros.
O futuro dependerá igualmente da capacidade de modernização. Industrialização, digitalização, BIM e construção modular são hoje fatores essenciais de competitividade
A construção deve ser vista como uma prioridade estratégica nacional.
Na AICCOPN, assumiremos este debate com espírito construtivo, sentido institucional e ambição reformista.
Porque a verdade é simples: Portugal já não tem um problema de ambição. Tem um problema de execução.
E o sucesso dos próximos anos dependerá da nossa capacidade coletiva para construir confiança e executar futuro.