É neste contexto que a construção assume um papel absolutamente determinante. Longe de ser apenas um setor económico, é hoje um verdadeiro pilar da competitividade nacional.
Habitação, ferrovia, novo aeroporto, infraestruturas energéticas, gestão da água, equipamentos públicos ou reforço da capacidade de resposta na área da defesa têm um denominador comum: só se concretizam com um setor da construção forte, qualificado e capaz de executar.
Portugal dispõe atualmente de uma oportunidade única. Entre o Plano de Recuperação e Resiliência, o Portugal 2030 e os grandes investimentos estruturantes previstos para os próximos anos, o país beneficia de um volume de financiamento sem precedentes. Contudo, o sucesso deste ciclo não dependerá apenas dos recursos financeiros disponíveis, mas da capacidade de os transformar em obras concluídas e em valor acrescentado para a economia.
Para isso, é indispensável garantir estabilidade regulatória, processos administrativos mais céleres, contratação pública mais eficiente e decisões atempadas. A competitividade constrói-se também com previsibilidade, confiança e um enquadramento que permita às empresas investir, inovar e responder aos desafios do mercado.
Ao mesmo tempo, importa continuar a reforçar a capacidade produtiva do setor, investindo na industrialização da construção, na digitalização dos processos, na inovação tecnológica e, sobretudo, na qualificação dos recursos humanos. Atrair jovens para estas profissões e valorizar as competências técnicas será determinante para assegurar a capacidade de resposta às necessidades do país.
Num momento em que a Comissão Europeia coloca a competitividade no centro da sua agenda, promovendo a simplificação regulatória e a redução dos encargos administrativos para acelerar o investimento, Portugal deve acompanhar esta dinâmica. Criar melhores condições para executar é hoje tão importante como garantir financiamento.
As empresas portuguesas da construção têm demonstrado, ao longo dos últimos anos, competência, resiliência e capacidade de adaptação. Estão preparadas para responder aos desafios que o país enfrenta. Importa agora que as políticas públicas acompanhem essa capacidade, removendo bloqueios e criando um ambiente favorável ao investimento e à execução.
Porque o desafio de Portugal já não é decidir investir.
O verdadeiro desafio é garantir que Portugal consegue executar.